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title: De volta à Venezuela, María Corina diz que EUA propuseram eleição presidencial em 2027
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published: 2026-11-01T23:41:46+00:00
modified: 2026-11-01T23:41:46+00:00
author: André Carvalho
category: Mundo
source: Previsão
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# De volta à Venezuela, María Corina diz que EUA propuseram eleição presidencial em 2027

> A presidente interina, Delcy Rodríguez, prometeu votação sem marcar data; a opositora agradeceu a Trump pela captura de Maduro e disse que nunca conseguiu falar com Lula.

A opositora María Corina Machado disse na quinta-feira (29/10), em Caracas, que o governo de Donald Trump propôs uma eleição presidencial na Venezuela em 2027. Segundo ela, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, apresentou as etapas de uma transição democrática e deixou claro que a votação será naquele ano. Foi a primeira entrevista coletiva da vencedora do Nobel da Paz desde que encerrou, no domingo (25/10), um exílio de dez meses. Ela agradeceu a Trump e a Rubio pela operação militar que capturou Nicolás Maduro em janeiro.

Na mesma entrevista, Machado disse manter boa relação com vários presidentes da América Latina, entre eles os da Colômbia, da Argentina e do Chile, mas contou que nunca falou com Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no Brasil. "Acredito que não tenha sido por falta de interesse da minha parte", afirmou, segundo a Folha. A relação entre os dois tem histórico de atritos: em 2024, Lula comparou o veto à candidatura dela à própria experiência de 2018, quando, preso, não pôde concorrer; a opositora já acusou o brasileiro de validar abusos de Maduro.

## A resposta de Delcy Rodríguez

Pouco antes da entrevista de Machado, a presidente interina, Delcy Rodríguez, que foi vice de Maduro, prometeu eleições sem marcar o dia. "Haverá eleições, todas as previstas em nossa Constituição, organizadas por uma autoridade eleitoral renovada", disse. Ela também afirmou ter determinado às forças de segurança que ninguém seja preso sem ordem judicial, salvo em flagrante, e falou em receber de volta os exilados. Rodríguez defendeu que o governo interino conduza a transição, ideia que Machado considerou sem lógica, segundo a BBC.

Rodríguez governa com o apoio de Washington desde 3 de janeiro, quando uma operação militar americana capturou Maduro, que responde nos Estados Unidos a acusações de narcotráfico e tortura e nega os crimes. O governo Trump apoia uma negociação entre a gestão interina e parte da oposição, da qual o Vente Venezuela, movimento liderado por Machado, não faz parte. A opositora disse que não vai participar pessoalmente das conversas, mas desejou sucesso aos negociadores.

## Atrito com o roteiro americano

Em análise publicada no sábado (31/10), a CNN Brasil avalia que a volta da opositora contraria o roteiro de transição traçado pela diplomacia americana e aumenta a tensão no grupo chavista que apoia Rodríguez. Trump disse à emissora que não sabia do retorno, mas desejou que ela estivesse bem. Segundo o g1, o governo americano disse que a opositora tem o direito de permanecer no país, mas Trump também elogiou Rodríguez, e Rubio já tinha dito esperar que ela apoie as conversas em curso.

No domingo (25/10), Rubio escreveu no X que as condições para a volta segura dela são "o resultado direto das conversas de reconciliação apoiadas pelos Estados Unidos", que, segundo ele, já levaram à soltura de centenas de presos políticos. "A relação com Washington está abalada, mas não interrompida", disse à CNN uma pessoa próxima à opositora. Na entrevista, Machado não quis comentar falas antigas de Trump, que em janeiro afirmou faltar a ela apoio suficiente para chefiar de imediato o país.

O petróleo é outro ponto de atrito. Machado cobrou transparência no acordo fechado em agosto entre o governo interino e os Estados Unidos, que, segundo a Folha, teria posto sob controle americano 65 bilhões de barris, cerca de 20% das reservas venezuelanas. Ela disse que todo contrato assinado dentro da lei será respeitado, mas que alguns podem ser renegociados.

## A mesa que define o calendário

A data da eleição depende das conversas entre o governo interino e a parte da oposição que está à mesa, que têm como objetivo renovar a autoridade eleitoral e a corte mais alta do país antes da votação. Machado, que já disse que voltaria a se candidatar à Presidência se houvesse eleição, afirmou que vai mobilizar a sociedade venezuelana pelo voto e quer que cada eleitor apto, dentro e fora do país, possa votar.

> **O que o mercado diz:** Quem será o líder de facto da Venezuela no final de 2026?
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> - Delcy Rodríguez: 95%
> - Edmundo González: 2%
> - María Corina Machado: 2%
> - Marco Rubio: 1%
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