Acordo com a Noruega entra em vigor, e vendas ligadas ao pacto com a UE crescem 21%
O tratado do Mercosul com a EFTA já valia para a Islândia e agora alcança o principal parceiro brasileiro do grupo; o acordo com a União Europeia completou seis meses com mel, abacate e carnes entre os destaques.
Por André Carvalho
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) passou a valer para a Noruega no domingo (1/11). Entre os quatro países do bloco, os noruegueses são o principal parceiro comercial do Brasil. No mesmo dia, o acordo do Mercosul com a União Europeia completou seis meses de aplicação provisória com as vendas brasileiras em alta: as exportações de produtos beneficiados pelo tratado cresceram 21% de maio a setembro, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou na quinta-feira (29/10).
A Noruega é o segundo membro da EFTA a pôr o acordo em vigor; na Islândia, ele vale desde o início de outubro. O tratado prevê eliminar ou reduzir aos poucos as tarifas de importação e, pelos dados do governo brasileiro, junta mercados com cerca de 290 milhões de consumidores.
Em 2025, o agronegócio brasileiro vendeu US$ 203 milhões à Noruega, 33% menos que em 2024, segundo números do Ministério da Agricultura reunidos pela plataforma Agrostat. O café ficou em primeiro, com US$ 105,6 milhões, e o complexo da soja em segundo, com US$ 45,5 milhões. Pelos mesmos dados, o Brasil comprou US$ 111 milhões dos noruegueses, dos quais US$ 106 milhões em pescados.
Seis meses de acordo com a União Europeia
Negociado desde 1999 e assinado em janeiro, o acordo com a União Europeia começou a ser aplicado em 1º de maio e envolve cerca de 720 milhões de pessoas. Pelo levantamento do MDIC, os maiores saltos nas vendas aos europeus vieram do abacate fresco (421%), do mel (367%) e do óleo de milho (266%). Na indústria, as vendas de etanol, alumínio em bruto, ferrossilício-manganês e óleos combustíveis também subiram, e os transformadores elétricos, que não tinham vendas ao bloco um ano antes, somaram US$ 39 milhões.
No agronegócio, as exportações para os 27 países da União Europeia chegaram a US$ 12,21 bilhões de maio a setembro, alta de 14,8% em valor, segundo o Ministério da Agricultura. As carnes mais que dobraram em valor, com alta de 103,5%, e o volume embarcado foi de 101 mil para 272 mil toneladas. O complexo da soja, ainda o principal grupo vendido à União Europeia, cresceu 34,2% e chegou a US$ 4,19 bilhões.
Para o governo, o corte de tarifas explica parte do avanço, ao deixar o produto brasileiro mais competitivo na Europa. A Folha observa, porém, que os números do MDIC não mostram quanto do crescimento veio do acordo, e lembra que o ministro Márcio Elias Rosa tinha falado em outubro, num evento com jornalistas, em alta de 30% nas vendas à União Europeia de maio a setembro.
Os próximos cortes de tarifa
A abertura europeia segue um cronograma por produto. No café torrado e no solúvel, a tarifa cai aos poucos até sumir em 2030; no abacate, o primeiro corte foi de 20% da tarifa-base, e a liberação total também está prevista para 2030. Açúcar, arroz, etanol, mel, milho, sorgo e as carnes de boi, de porco e de frango têm condições especiais de entrada, em alguns casos limitadas por cotas de importação. Do lado da EFTA, falta o acordo entrar em vigor na Suíça e em Liechtenstein, que ainda concluem os procedimentos internos.



