Copom mantém Selic em 13,75% e interrompe ciclo de cortes iniciado em março
Dúvidas fiscais e inflação mais alta pesaram na avaliação do comitê, segundo o InfoMoney.
Por André Carvalho
Na quarta-feira (4/11), o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, deixou a taxa básica em 13,75% ao ano e pôs fim à sequência de reduções iniciada em março, segundo o g1. Os membros votaram por unanimidade, e a maior parte dos economistas já apostava na pausa, segundo a Folha. Foi a primeira reunião do colegiado depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Um levantamento com 105 instituições financeiras, divulgado antes da reunião, mostrou que 72 esperavam a manutenção dos juros, enquanto 33 previam um novo corte de 0,25 ponto percentual, de acordo com o Poder360.
Por que o Copom parou
Para a Folha, o colegiado apontou três motivos: mais incerteza sobre as próprias projeções, expectativas de inflação em alta e uma atividade econômica que desacelera de forma mais acentuada. O InfoMoney acrescenta que as incertezas fiscais também pesaram na avaliação do comitê. Pelo g1, a inflação cheia e as medidas subjacentes voltaram a acelerar e passaram do teto da meta.
Dólar, Bolsa e juros reagem
Antes do anúncio, na quarta-feira (4/11), a Bolsa encerrou com ganho de 1,20%, aos 167.525 pontos, depois de seis pregões seguidos em queda, segundo a Folha. O Copom comunicou a decisão depois do fechamento do mercado. Na quinta-feira (5/11), por volta das 9h40, o dólar subia 0,38%, a R$ 5,471, e os juros futuros para 2031 e 2035 também avançavam, a 15,18% e 15,21%, segundo a Folha.
O que muda para quem investe e financia
Para quem investe em renda fixa, a Selic nesse patamar mantém em destaque produtos como CDB, LCI, LCA e Tesouro Direto. O InfoMoney lembra que a escolha pede atenção a horizonte, liquidez e tributação, além da taxa oferecida pelo emissor.
Economistas ouvidos pelo InfoMoney avaliam que a Selic deve ficar em patamar restritivo por mais tempo. Felipe Queiroz, economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (APAS), argumentou que a taxa real de juros penaliza comércio e serviços.
O que vem pela frente
O comunicado tirou a referência ao ciclo de flexibilização e não indicou prazo para a pausa, segundo a Folha. Na terça-feira (3/11), o Boletim Focus já havia elevado as projeções de inflação para 2026 e da Selic para o fim do ano, também segundo a Folha. A ata da reunião sai na terça-feira (10/11), e a próxima decisão do Copom cai em 8 e 9 de dezembro de 2026, segundo o Poder360.



