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Anthropic mira IPO recorde, mas Blackstone já prevê nota de crédito especulativa

Analistas estimam que a dona do Claude chegue à bolsa avaliada entre US$ 1 trilhão e US$ 2 trilhões; sem grau de investimento, ela tende a pagar mais caro para financiar a conta de computação.

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Anthropic mira IPO recorde, mas Blackstone já prevê nota de crédito especulativa
Foto: TechCrunch / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Anthropic, criadora do assistente de inteligência artificial Claude, protocolou na segunda-feira (26/10) o pedido para abrir capital na Nasdaq e prevê estrear em novembro, no que pode ser a maior oferta inicial de ações da história. Em poucos dias, o caminho ficou mais difícil: as ações de tecnologia caíram com força nos Estados Unidos, e a Blackstone mudou a previsão sobre a nota de crédito da empresa.

Segundo o Financial Times, a Blackstone, investidora-âncora de uma operação de US$ 63 bilhões para financiar chips da Anthropic, disse aos investidores do negócio que a empresa deve receber das agências de risco uma nota na faixa BB, o degrau mais alto da categoria especulativa. Nos últimos meses, a gestora vinha dizendo esperar o grau de investimento até o fim de 2026. Anthropic e Blackstone não quiseram comentar.

A nota pesa no custo do dinheiro. O grau de investimento abre acesso a juros mais baixos, e parte dos fundos de pensão e das seguradoras segue regras que limitam aplicações em empresas com nota especulativa. Fitch, Moody’s e S&P, as três maiores agências, ainda não deram nota oficial à Anthropic. Na sexta-feira (30/10), depois da reportagem do FT, as ações de tecnologia americanas foram às mínimas do dia, e o Nasdaq 100 chegou a cair 4,2% à tarde.

O pedido saiu na semana em que Microsoft, Google e Amazon, parceiras que também estão entre os maiores investidores da Anthropic, divulgaram balanços que reforçaram as dúvidas sobre os gastos com IA. O mercado de ofertas iniciais está quase parado desde a estreia recorde da SpaceX, em junho, segundo a CNBC. “A Anthropic é o mercado de IPOs neste momento”, disse à emissora Daniel Newman, presidente-executivo do Futurum Group.

O que o prospecto mostra

O prospecto da oferta mostra receita de US$ 16,29 bilhões no primeiro semestre de 2026, ante US$ 1,16 bilhão um ano antes, e margem bruta implícita de 85%. No mesmo período, o prejuízo líquido foi de cerca de US$ 80 bilhões. O caixa, somado a aplicações equivalentes, passa de US$ 112 bilhões, e investidores contam com outros US$ 100 bilhões vindos da oferta, segundo o FT.

Boa parte das dúvidas está na conta da computação. A empresa prevê investimentos de mais de US$ 800 bilhões em infraestrutura até 2045, com contratos de vários anos que não podem ser cancelados, mas não informa quando vence cada parcela. Pelas estimativas da PitchBook, esses compromissos podem chegar a algo entre US$ 450 bilhões e US$ 600 bilhões até 2031.

O que ainda falta saber

O prospecto não traz a avaliação pretendida e diz só que ela sairá de negociações entre a empresa, os acionistas vendedores e os representantes da oferta. O controle também levanta dúvidas: a Anthropic vai estrear como empresa de benefício público, com objetivos além do lucro, e seus sete cofundadores, entre eles o presidente-executivo Dario Amodei, concentram 50,1% dos votos por meio de uma única ação especial.

Antes da estreia, a empresa vai apresentar a oferta a investidores, e a relação com sócios que também são fornecedores deve ser um dos principais temas dessas reuniões, segundo a CNBC. O mercado também espera os números do terceiro trimestre.

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