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Fazer uma previsão

Fitch põe a nota A+ da França em perspectiva negativa após a economia encolher 0,1%

A agência manteve a classificação e prevê nova revisão até o fim de fevereiro de 2027; o ministro das Finanças cobra um Orçamento com corte de déficit até o fim do ano.

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Fitch põe a nota A+ da França em perspectiva negativa após a economia encolher 0,1%
Foto: Actu44 / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

A Fitch, uma das três principais agências de classificação de risco, passou de estável para negativa a perspectiva da nota de crédito da França na sexta-feira (30/10), logo após a publicação de números que mostraram retração de 0,1% da economia francesa no terceiro trimestre. A nota foi mantida em A+, mas a perspectiva negativa indica que ela pode ser rebaixada.

A decisão veio fora do calendário regular de avaliações. No comunicado, a Fitch apontou “crescimento mais fraco, custos de financiamento mais altos e déficit maior” desde a revisão anterior, de agosto. A agência passou a projetar que os gastos do país com juros da dívida subam de 2,5% do PIB em 2025 para 3,3% em 2028, e espera um déficit de 5,5% do PIB em 2027. A dívida francesa se aproxima de 120% do PIB, segundo a Folha.

A mais pessimista das três agências

Com a mudança, a Fitch ficou com a visão mais negativa das três. A S&P Global Ratings também dá nota A+ ao país, mas com perspectiva estável. Na semana anterior, a Moody’s manteve a França em Aa3, um degrau acima das concorrentes, com perspectiva negativa.

A Fitch apontou ainda entraves políticos para equilibrar as contas. “A fragmentação política persistente e um cenário social desafiador tornam mais difícil promover um ajuste fiscal duradouro”, afirmou a agência, que vê pouca margem para elevar impostos, porque a carga tributária do país já é alta. Entre os pontos fortes, o comunicado diz que a França “continua amparada por uma economia grande, rica e diversificada, instituições sólidas, participação na zona do euro e um setor bancário resiliente”.

Juros perto de 5% e protestos nas ruas

A França é a segunda maior economia da zona do euro, e a retração do terceiro trimestre contrariou os economistas, que esperavam crescimento. Na sexta-feira (30/10), os títulos do governo com prazo de dez anos pagavam juros em torno de 5%, e a diferença em relação aos papéis alemães estava no maior nível desde a crise das dívidas europeias de 2011, de acordo com a Folha. Tudo isso acontece a cerca de seis meses da eleição presidencial, na qual as pesquisas mostram a extrema direita na frente.

No sábado (31/10), um dia depois da decisão, estudantes e sindicatos voltaram às ruas contra cortes na educação e a alta do custo de vida. Os organizadores falaram em quase meio milhão de manifestantes, 200 mil deles em Paris, enquanto o Ministério do Interior estimou cerca de 320 mil pessoas no país e 70 mil na capital, segundo a agência AFP. Os atos foram em geral calmos, mas houve confrontos em cidades como Toulouse, Marselha e Paris.

O Orçamento de 2027 e a próxima revisão

O próximo teste é o Orçamento de 2027. “A avaliação da Fitch confirma a necessidade absoluta de adotar um Orçamento responsável até o fim do ano”, disse o ministro das Finanças, Roland Lescure, para quem o objetivo é reduzir o déficit a 5%. Ele afirmou que o governo está “determinado a seguir o caminho da consolidação fiscal”. A Fitch espera voltar a avaliar a nota até o fim de fevereiro de 2027, no mais tardar.

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