Juiz arquiva de vez ação de US$ 10 bilhões de Trump contra o Wall Street Journal
Decisão de sábado (31/10) impede o presidente de abrir outro processo sobre a reportagem da carta de aniversário a Jeffrey Epstein; a equipe jurídica dele diz que vai recorrer.
Por André Carvalho
Um juiz federal de Miami arquivou no sábado (31/10), em caráter definitivo, o processo por difamação de US$ 10 bilhões que Donald Trump movia contra o Wall Street Journal, a editora Dow Jones e Rupert Murdoch, cuja News Corp é dona do jornal. A ação tratava da reportagem de 2025 sobre uma carta de aniversário com o nome de Trump endereçada ao financista Jeffrey Epstein. Com isso, o presidente fica impedido de abrir uma nova ação com as mesmas acusações na Justiça federal, segundo a CNBC.
O juiz distrital Darrin Gayles concluiu que Trump não demonstrou o que a lei americana exige de uma figura pública num caso de difamação: que o jornal sabia que a informação era falsa ou que a publicou sem se importar se era verdadeira. Na decisão de 20 páginas, Gayles escreveu que a ação tentava “fabricar falhas” numa investigação que ele descreveu como cuidadosa e detalhada. Segundo a CNBC, o juiz não decidiu se Trump escreveu ou não a carta.
O argumento rejeitado
Segundo a decisão, a defesa sustentava que, como Trump negou a autoria quando os repórteres o procuraram, o jornal deveria ter desconsiderado o resto da apuração e desistido de publicar. Gayles rejeitou a tese: se fosse assim, escreveu, bastaria a negativa de uma figura pública para barrar uma reportagem desfavorável, o que contraria a Primeira Emenda da Constituição americana, que protege a liberdade de imprensa.
Foi a segunda vez que Gayles rejeitou a ação. Em abril, ele havia derrubado a primeira versão e permitido que a defesa corrigisse os defeitos; a nova queixa foi apresentada em maio, segundo o InfoMoney. De acordo com a CNBC, ela acrescentava, entre outras alegações, que Murdoch disse a Trump “eu cuido disso” num telefonema sobre a reportagem.
O que o jornal publicou
A reportagem foi publicada em 17 de julho de 2025. Segundo o Wall Street Journal, a carta, com a assinatura de Trump, fazia parte de um álbum reunido em 2003 para os 50 anos de Epstein e teria sido enviada a pedido de Ghislaine Maxwell, amiga próxima do financista, condenada duas décadas depois pela Justiça americana. Trump nega ter escrito o texto e chamou a publicação de “falsa, maliciosa e difamatória”. Na época, o governo enfrentava críticas de democratas e de republicanos pela forma como lidava com os documentos do caso Epstein, segundo a BBC.
Recurso e outras ações contra a imprensa
Um porta-voz da Dow Jones disse à CNBC que a empresa está satisfeita com a decisão. Do lado do presidente, um porta-voz da equipe jurídica confirmou ao canal que Trump pretende recorrer e afirmou que ele vai continuar responsabilizando quem “engana o povo americano com notícias falsas e difamações”.
A decisão é mais um revés de Trump nas disputas judiciais com a imprensa. Na ação de US$ 10 bilhões que o presidente move contra a BBC, outro juiz federal de Miami determinou em 22 de outubro que ele preste depoimento até 11 de dezembro, segundo a CNBC.



