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Políticos sul-coreanos temem acordo de Trump com Kim Jong-un à custa de Seul

A inteligência da Coreia do Sul diz que o líder norte-coreano tratou de um possível encontro com o americano, enquanto Pyongyang dispara mísseis e anuncia teste de ogiva.

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Políticos sul-coreanos temem acordo de Trump com Kim Jong-un à custa de Seul
Foto: The White House / Wikimedia Commons (domínio público)

Os sinais de que Donald Trump quer retomar o diálogo com Kim Jong-un preocupam políticos da Coreia do Sul, país que tem nos Estados Unidos o seu aliado mais importante. Segundo reportagem da Deutsche Welle publicada pelo UOL no domingo (1/11), há em Seul quem tema uma reaproximação de Washington com Pyongyang à custa da segurança sul-coreana, ou que deixe o país exposto às armas nucleares do vizinho. Nos últimos dias, a Coreia do Norte voltou a disparar mísseis e a anunciar testes de armas.

A Coreia do Norte não respondeu oficialmente aos acenos americanos. Mas o Serviço Nacional de Inteligência sul-coreano contou a deputados, numa sessão fechada, que Kim falou sobre uma eventual reunião com o americano quando esteve com integrantes da direção do Partido Comunista da China, em Dandong. Circula a hipótese de que os dois se encontrem na quarta-feira (18/11), em Shenzhen, na China, durante a cúpula da Apec, o fórum econômico da Ásia e do Pacífico. No primeiro mandato, entre 2017 e 2021, Trump chegou a dizer que ele e Kim tinham “se apaixonado”.

O receio cresceu, segundo a DW, depois que os Estados Unidos propuseram discutir o futuro da Ucrânia com Rússia e China, sem ucranianos à mesa. Em Seul, há quem tema a mesma fórmula para a península. “Hoje existe um problema de confiança entre os dois governos”, disse Kim Sang-woo, membro do conselho da Fundação Kim Dae-jung para a Paz. Ele cita as tarifas, as barreiras ao comércio e a cobrança americana para que Seul pague mais pela presença de tropas dos EUA no país.

Arsenal próprio entra no debate

Para Lim Eun-jung, professora de estudos internacionais da Universidade Nacional de Kongju, o maior risco é Washington reconhecer a Coreia do Norte como potência nuclear, o que, segundo ela, legitimaria o programa de Pyongyang. Também se discute em Seul um cenário em que Trump aceite eliminar só os mísseis nucleares que chegam ao território americano; Pyongyang ficaria com os de menor alcance, suficientes para atingir o território sul-coreano e o japonês. Por isso, ganha espaço no país quem defende armas nucleares próprias. “Cada vez mais pessoas perguntam por que não seguimos sozinhos”, disse Lim.

Mísseis, ogivas e alto-falantes

A tensão entre as duas Coreias subiu desde setembro, quando Seul acusou o Norte de plantar minas na Zona Desmilitarizada, o que Pyongyang nega. Na quinta-feira (29/10), a Coreia do Norte disparou da região de Wonsan cerca de dez mísseis balísticos, todos de curto alcance, que voaram cerca de 250 km até o mar, segundo o Estado-Maior Conjunto sul-coreano. Os disparos vieram horas antes da visita do chanceler alemão, Friedrich Merz, à Coreia do Sul, e o gabinete de segurança da Presidência sul-coreana classificou os lançamentos como “grave violação” das resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

Depois dos disparos, a agência estatal KCNA informou que institutos de pesquisa de defesa testaram uma ogiva de bombas de fragmentação para mísseis balísticos táticos e que as tropas serão preparadas, até o fim de 2026, para usar todos os tipos dessas bombas. Na semana anterior aos disparos, Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano, já tinha anunciado que alto-falantes de propaganda contra o Sul ficariam de prontidão ao longo da fronteira em poucos dias.

O canal entre as Coreias

O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, tenta reabrir canais de conversa com Pyongyang, o que incomoda aliados europeus, preocupados com o apoio militar norte-coreano à Rússia na guerra da Ucrânia. Na visita a Seul, Merz afirmou que a segurança da Coreia afeta a da Europa. A próxima data a observar é a da cúpula da Apec, na quarta-feira (18/11), quando Trump e Kim podem se ver, se a especulação se confirmar.

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