Saques superam depósitos na poupança em R$ 9,35 bilhões em setembro
Em agosto, o varejo ainda tinha R$ 952,9 bilhões na caderneta, segundo a Anbima; o Copom, que cortou a Selic para 13,75% em setembro, volta a decidir os juros na quarta-feira (4/11).
Por André Carvalho
Os brasileiros tiraram da poupança R$ 9,35 bilhões a mais do que depositaram em setembro, segundo o Banco Central. No mês, entraram cerca de R$ 339 bilhões e saíram aproximadamente R$ 348 bilhões, e o rendimento de R$ 6,5 bilhões creditado nas contas compensou só parte da saída. Em agosto, investidores do varejo tradicional e de alta renda ainda mantinham R$ 952,9 bilhões na caderneta, de acordo com a Anbima, a associação das instituições dos mercados financeiro e de capitais.
Com a Selic em 13,75% ao ano, outras aplicações de renda fixa podem render mais que a caderneta, segundo especialistas ouvidas pela Folha no Dia Mundial da Poupança, lembrado no sábado (31/10). Os saques, porém, não se explicam só pela troca de aplicação.
Quanto a poupança rende
Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a regra da caderneta garante 0,5% ao mês mais a TR, a Taxa Referencial, enquanto CDBs e títulos públicos pós-fixados podem seguir mais de perto os juros do mercado. A poupança leva vantagem no imposto: é isenta de Imposto de Renda para pessoas físicas, e os CDBs pagam sobre o rendimento.
Para Adriana Vieira, planejadora financeira pela Planejar, as alternativas conservadoras podem sair na frente mesmo depois do imposto. “Com juros elevados, o custo de oportunidade de manter recursos na poupança aumenta”, afirma. Custo de oportunidade é o que se deixa de ganhar ao ficar fora da opção mais rentável.
Por que o dinheiro fica e por que sai
Para Adriana, pesa a tradição. “O brasileiro tem um apego emocional à poupança”, diz. Juliana Daitx, coordenadora de investimentos da Unicred Porto Alegre, avalia que manter dinheiro ali tem mais a ver com comportamento do que com conta, e cita a facilidade de resgate, a isenção de imposto e o fato de o poupador não precisar escolher prazo, indexador ou emissor.
Os saques, segundo Juliana, vêm de dois movimentos. Um é a migração para o Tesouro Direto, para títulos isentos e para CDBs com resgate diário, puxada pelo juro real alto e pela facilidade de investir pelo celular. O outro é o uso da reserva: “com o orçamento das famílias pressionado e o endividamento alto, muita gente recorre à poupança para pagar contas e dívidas”, afirma. A Folha aponta ainda a compra de imóveis como possível explicação para parte das retiradas.
O que observar antes de trocar
Cada alternativa tem regras e riscos próprios. Os CDBs contam com a proteção do FGC, o Fundo Garantidor de Créditos, até o limite previsto; os fundos de investimento não têm essa garantia e podem ter outros prazos de resgate; e o risco dos títulos públicos é o do governo federal. Para Adriana, a poupança pode fazer sentido para o dinheiro de gastos pontuais, que deve ficar separado da reserva de emergência.
A próxima referência para essa conta vem na quarta-feira (4/11), quando o Copom, o comitê do Banco Central que define a Selic, anuncia a penúltima decisão do ano. A taxa chega à reunião em 13,75% ao ano, nível em vigor desde o corte de 0,25 ponto percentual de setembro, e o mercado se divide entre a manutenção e um novo corte, segundo o UOL. Enquanto a Selic seguir acima de 8,5%, a regra de rendimento da caderneta não muda.



