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Irã diz que nova guerra pode durar mais após Trump afirmar que não tem pressa por acordo

Presidente americano não descartou voltar a atacar o país, e o líder supremo iraniano mandou as Forças Armadas responderem a qualquer ameaça; negociadores iranianos se reuniram com mediadores do Catar em Doha.

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Irã diz que nova guerra pode durar mais após Trump afirmar que não tem pressa por acordo
Foto: Reprodução/CNN Brasil

O Exército do Irã afirmou no domingo (1/11) que “uma nova guerra pode durar mais do que a anterior”, em resposta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No sábado (31/10), Trump disse que não tem pressa para fechar um acordo de paz e não descartou voltar a atacar o país. A troca de recados se deu durante a mediação do Catar e às vésperas das eleições de meio de mandato americanas, marcadas para terça-feira (3/11).

“Não estamos com tanta pressa, visto que já eliminamos a Marinha deles. Eliminamos a Força Aérea deles”, afirmou o presidente a repórteres em Mar-a-Lago, seu clube na Flórida. Segundo ele, restam “um ou dois locais” a resolver, o que poderia ser feito “em 10 minutos”. Trump disse que o Irã queria um acordo, mas “não era muito confiável”, e não quis dizer se espera retomar a guerra na semana seguinte.

Entre os alvos possíveis está a montanha que os iranianos chamam de Kooh Kolang, que Trump já tinha ameaçado bombardear no fim de julho. Para a inteligência americana, ela pode abrigar um complexo nuclear subterrâneo. O local fica a cerca de 250 quilômetros ao sul de Teerã, nas proximidades de Natanz, onde o Irã enriquece urânio. O governo iraniano rejeita a suspeita, nega querer armas nucleares e reivindica o direito de usar a energia atômica para fins civis.

A resposta de Teerã

Quem falou em guerra mais longa foi o porta-voz do Exército, Mohammad Akraminia, ao comentar a frase de Trump sobre os dez minutos. Segundo o governo iraniano, o presidente americano “não estaria em condições de ditar nem o momento nem as condições” para o fim do conflito. Horas antes da entrevista de Trump, no sábado, Mojtaba Khamenei, líder supremo desde março, quando substituiu o pai, havia mandado as Forças Armadas reagirem sem demora e sem limite geográfico a qualquer ameaça e incluírem ativos americanos e israelenses na lista de alvos.

A guerra e a mediação

A guerra começou em 28 de fevereiro, com uma ofensiva de Estados Unidos e Israel. Em abril, veio um cessar-fogo e, em 12 de junho, os dois lados firmaram um protocolo para pôr fim ao conflito, mas os ataques foram retomados depois. Desde o começo de setembro, a situação na região ficou estável. Na semana anterior às declarações, Trump havia falado numa “nova pequena Fúria Épica”, nome que remete à ofensiva de fevereiro. Em Israel, depois das eleições legislativas, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu citou uma “oportunidade histórica única” para “eliminar definitivamente a ameaça existencial” que, para ele, o Irã representa.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse no sábado que Trump ainda não decidiu se retomará as ações militares e que não sabe se há prazo para as negociações conduzidas pelo Catar. Segundo a Reuters, autoridades iranianas se reuniram com os mediadores em Doha no mesmo dia. O Irã elogiou a “mudança de tom” de uma carta enviada pelo vice-presidente americano, JD Vance.

Os Emirados Árabes Unidos disseram esperar uma saída diplomática. “Não é do interesse da região viver um novo ciclo de confrontação”, afirmou Anwar Gargash, conselheiro diplomático do presidente dos Emirados. Segundo o g1, depois da votação americana de terça-feira (3/11), não se descarta uma ofensiva curta e intensa contra o Irã.

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