Lula vai à COP31 na Turquia e tem Asean, Mercosul e G20 na agenda até dezembro
O presidente passa à Turquia o comando da conferência do clima, que o Brasil exercia desde Belém, e pode cruzar com Trump nas Filipinas e na Flórida, sem reunião marcada.
Por André Carvalho
Reeleito no domingo (25/10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retoma as viagens ao exterior em novembro. Ele chega a Antália, na Turquia, no dia 10 para a reunião de líderes da COP31, nos dias 11 e 12, e de lá segue para as Filipinas. A agenda internacional até o fim do ano, fechada depois do segundo turno, inclui ainda a cúpula do Mercosul, no Uruguai, e a do G20, nos Estados Unidos, que terá Donald Trump como anfitrião.
As viagens aguardavam o resultado da eleição. Segundo a CNN Brasil, depois do segundo turno o chanceler Mauro Vieira despachou com Lula no Palácio da Alvorada para obter o aval aos compromissos. De acordo com o InfoMoney, Lula já tinha tratado da ida à conferência com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.
O que o Brasil leva a Antália
A COP31 vai de 9 a 20 de novembro. Em Antália, Lula passa à Turquia a presidência da conferência, que o Brasil ocupa desde a COP30, em Belém, em 2025. Os turcos vão dividir a condução com a Austrália, responsável por coordenar as negociações. Segundo a CNN Brasil, o discurso que a equipe internacional do Planalto preparava no domingo (01/11) deve defender o reforço do sistema multilateral de combate à mudança do clima. Até sexta-feira (30/10), 77 chefes de Estado e de governo haviam confirmado presença, numa lista que inclui China, Reino Unido e União Europeia.
Em Belém, as delegações terminaram sem metas nem prazos obrigatórios para deixar aos poucos o carvão, o petróleo e o gás. Segundo o UOL, especialistas veem pouco espaço para um acordo desse tipo em 2026, com a guerra no Oriente Médio pressionando os mercados. Entre os dez temas que a Turquia pôs como prioridade está levar a eletricidade a 35% do consumo de energia do planeta até 2035, contra uma fatia de cerca de 23%. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que acompanhará Lula, disse à AFP que a reeleição “foi uma vitória também da agenda de enfrentamento às mudanças climáticas”.
Filipinas, Uruguai e Flórida
No dia 13, Lula faz uma visita de Estado às Filipinas, quando devem ser assinados acordos bilaterais, e nos dias 14 e 15 participa em Manila da cúpula da Asean, que o convidou pelo segundo ano seguido. O bloco do Sudeste Asiático tem 11 países e um PIB estimado em US$ 4 trilhões. A depender da agenda de Trump, os dois podem se cruzar ali, como aconteceu na cúpula de 2025, na Malásia, onde tiveram a primeira reunião bilateral; segundo o InfoMoney, não há nada marcado, e as datas dos dois em Manila podem não coincidir.
A cúpula do Mercosul será em Montevidéu, nos dias 4 e 5 de dezembro, e encerra a presidência temporária do Uruguai. Segundo a CNN Brasil, Lula pode encontrar Javier Milei, se o argentino comparecer. Milei, que defende regras mais flexíveis para os acordos comerciais do bloco, faltou à última reunião, em junho, em Assunção, e o governo argentino não emitiu comunicado reconhecendo a vitória de Lula.
O G20, presidido por Trump, será em dezembro, na Flórida. Até domingo (01/11), segundo a emissora, Trump não havia cumprimentado Lula pela vitória; no fim de outubro, o americano sugeriu, sem apresentar provas, que a votação teria sido fraudada, mas disse que gosta de Lula e que se dá bem com ele. Os dois se reuniram pela última vez em maio, na Casa Branca, numa conversa que durou cerca de três horas, e não há encontro bilateral agendado para a Flórida.



