Lucro da Coinbase sobe 66% no terceiro trimestre, puxado pela alta do bitcoin
A receita de US$ 1,20 bilhão ficou abaixo do que os analistas esperavam. No Brasil, a empresa pediu licença ao Banco Central um dia antes do fim do prazo.
Por André Carvalho
A Coinbase, corretora americana de criptomoedas com sede em São Francisco, teve lucro líquido ajustado de US$ 719 milhões no terceiro trimestre. O resultado, divulgado na quinta-feira (29/10), é 66% maior que os US$ 433 milhões do mesmo período do ano passado e mostra quanto a recuperação das criptomoedas pesou no balanço da empresa.
A maior parte do salto veio da carteira de investimentos em cripto que a própria Coinbase mantém. O valor desses ativos subiu junto com o mercado: o bitcoin, usado como termômetro do setor, se valorizou 39% nos três meses encerrados em 30 de setembro. A CNBC lembra que essa carteira pode oscilar com força mesmo quando a empresa quase não muda o que tem nela. Já a receita, de US$ 1,20 bilhão no trimestre, ficou um pouco abaixo da projeção dos analistas consultados pela LSEG.
Queda na bolsa depois do balanço
O lucro não segurou as ações da empresa. Na tarde de sexta-feira (30/10), um dia depois do balanço, os papéis da Coinbase caíam mais de 13% nos Estados Unidos, numa queda que o g1 associou à repercussão do roubo de US$ 6,3 bilhões na Binance. As ações da Strategy, empresa conhecida por investir em bitcoin, recuavam mais de 8% na mesma tarde.
Produtos além da cripto
No trimestre, a Coinbase avançou em áreas fora das moedas digitais, como ferramentas de inteligência artificial para quem negocia e ativos do mundo real convertidos em tokens. Em julho, o vice-presidente de produto, Max Branzburg, disse à CNBC que a empresa lançaria uma plataforma única para ações tokenizadas, derivativos e vendas de tokens em fase inicial. No começo de outubro veio o Coinbase for Agents, serviço para quem quer usar o ChatGPT e outros agentes de IA para pesquisar e administrar a própria carteira.
O pedido de licença no Brasil
Também na quinta-feira (29/10), a Coinbase protocolou no Banco Central o pedido de autorização para continuar operando no Brasil, na véspera do fim do prazo dado às empresas de cripto. Em declaração publicada pelo InfoMoney, o diretor da empresa para as Américas, Fabio Plein, disse que uma regulamentação bem definida “pode fortalecer a confiança dos consumidores” e que a Coinbase vai se adequando às exigências conforme o marco brasileiro entra em vigor, por etapas.
A próxima etapa é a análise do pedido pelo BC, que pode aprovar ou negar a licença. Pelas regras da autarquia, quem protocolou a solicitação dentro do prazo pode seguir atendendo clientes no Brasil até receber a resposta.



