Bitcoin resiste ao maior roubo da história do setor e cai menos que em ataques anteriores
A moeda recuava 5,40% por volta das 16h de sexta-feira (30/10), contra queda média de 8,3% depois de invasões a corretoras no passado. No domingo (1º/11), com a volta dos saques na Binance, a maioria das principais criptomoedas variava menos de 1%.
Por André Carvalho
O bitcoin caiu a US$ 76.480 por volta das 16h de sexta-feira (30/10), recuo de 5,40% e o patamar mais baixo em um mês, segundo a Folha. A queda veio um dia depois de hackers levarem US$ 6,3 bilhões da Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo, e foi mais branda do que a moeda costuma sofrer quando uma plataforma desse tipo é atacada.
Segundo dados da Anchorage Digital citados pela CNBC, o bitcoin perdeu em média 8,3% nas primeiras 24 horas depois de invasões anteriores a corretoras. Em fevereiro de 2014, após um dos ataques à Mt. Gox, o tombo chegou a 23,7% em 24 horas. No domingo (1º/11), com a Binance já liberando saques, a maioria das principais criptomoedas variava menos de 1%, e o bitcoin, perto de US$ 78 mil, estava cerca de 5% abaixo do pico de quinta-feira (29/10), anterior ao ataque, de acordo com o InfoMoney.
Por que a moeda aguentou
Sam Callahan, diretor de estratégia e pesquisa de bitcoin da OranjeBTC, disse à CNBC que os investidores fazem uma distinção: “O bitcoin em si não foi hackeado”. A falha, segundo ele, foi numa corretora centralizada, e não na rede da moeda. Spencer Hallarn, chefe de mercados da GSR, atribui a calma à rapidez da Binance, ao tamanho do caixa dela e à promessa de que nenhum cliente perderia dinheiro. Para ele, o congelamento de cerca de US$ 3 bilhões do que foi levado, anunciado por Tether, Circle e outras empresas, também ajuda a reduzir as perdas.
O perfil de quem tem bitcoin também pesa, na avaliação de David Lawant, chefe de pesquisa da Anchorage Digital: os donos atuais tendem a segurar a moeda em turbulências curtas. Só 6% dos bitcoins estão em fundos negociados em bolsa (ETFs), segundo a Bitbo, o que para ele indica que boa parte das moedas segue com investidores de longo prazo. Parte da pressão, aliás, veio de fora do setor: Hallarn aponta que, desde o ataque, o bitcoin tem andado junto com as ações de tecnologia, que caíram com o temor sobre os balanços ligados à inteligência artificial.
Abaixo da máxima histórica
A moeda já estava abaixo do recorde antes do ataque. A máxima histórica do bitcoin foi registrada em outubro de 2025, segundo a BBC, e no começo de fevereiro de 2026 a queda chegou a apagar os ganhos acumulados no governo Trump.
O que observar
O risco que Sean Farrell, chefe de estratégia de ativos digitais da Fundstrat, aponta para o bitcoin é o de uma venda forçada: se faltassem ativos para cobrir os clientes, a Binance poderia ter de se desfazer de reservas, e a pressão vendedora se espalharia pelo mercado. Farrell disse à CNBC na sexta-feira (30/10) que não via esse cenário e apontou os sinais a acompanhar: a velocidade da volta dos saques e se as retiradas seguiriam ordenadas. Depois da reabertura, as saídas líquidas da corretora somavam US$ 2,5 bilhões até as 19h30 no horário de Cingapura, ainda na manhã de domingo (1º/11) no Brasil, segundo dados da DefiLlama citados pelo InfoMoney.



