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Rubio vê interesse crescente em trégua no Mar Negro para liberar petróleo e grãos

O secretário de Estado diz que a medida não encerra a guerra na Ucrânia; um assessor do Kremlin afirma que Putin atenderia uma ligação de Zelensky, e nova rodada de negociações está prevista para novembro.

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Rubio vê interesse crescente em trégua no Mar Negro para liberar petróleo e grãos
Foto: U.S. Department of State / Wikimedia Commons (domínio público)

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse no sábado (31/10) que cresce na comunidade internacional o interesse em ajudar a viabilizar um cessar-fogo restrito ao Mar Negro, que deixaria a Rússia e a Ucrânia escoarem petróleo e grãos sem restrições. A trégua parcial não encerraria a guerra, que já está no quinto ano, mas trataria de um problema que vai além dos dois países: segundo Rubio, a situação ameaça a segurança alimentar do mundo e, em parte, a energética.

Rubio falou a jornalistas em Atlanta, no encerramento dos dois dias de reunião dos chanceleres do G20, e contou que Washington examina propostas da Turquia e da Índia para destravar os embarques de grãos. “Não resolve a guerra, mas pelo menos resolve um aspecto específico dela”, afirmou. Ele também disse ter conversado rapidamente com o chanceler russo, Sergei Lavrov, sobre um possível encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin na cúpula da Apec, marcada para meados de novembro em Shenzhen, na China.

O precedente de Oleshky

A conversa sobre o Mar Negro vem depois de uma trégua localizada que permitiu tirar civis da linha de frente. Mediado pelo papa Leão 14 e pela primeira-dama americana, Melania Trump, um cessar-fogo humanitário de seis dias em Oleshky, cidade do sul da Ucrânia ocupada por tropas russas desde 2022, começou na terça-feira (27/10) e estava previsto para durar até a noite de domingo (01/11). Na sexta-feira (30/10), as estradas ficaram livres por quatro horas para a saída dos moradores, e as autoridades puseram 25 ônibus à disposição de quem quisesse partir, para território ucraniano ou russo.

Os que escolheram a Ucrânia cruzaram a Crimeia de ônibus, voaram da Rússia para Belarus e chegaram ao país no sábado (31/10), segundo o presidente Volodymyr Zelensky, que agradeceu aos Estados Unidos e à primeira-dama americana pela mediação. “Quando o mundo presta atenção, pessoas são resgatadas”, escreveu. De acordo com a CNN Brasil, foi a primeira operação de socorro desse tipo feita em conjunto pelos dois lados em quatro anos e oito meses de conflito.

A próxima rodada de negociações

Em visita a Istambul no sábado, Zelensky disse ter discutido com o presidente turco, Tayyip Erdogan, a nova rodada de conversas entre negociadores dos EUA, da Ucrânia e da Rússia, prevista para o início de novembro. Kiev quer a Europa e, talvez, a Turquia na mesa. Segundo o g1, o encontro deve acontecer em Abu Dhabi, e a delegação europeia, por exigência de Moscou, não vai participar diretamente das discussões.

Do lado russo, o assessor do Kremlin Yuri Ushakov disse à agência Interfax que Putin atenderia uma ligação de Zelensky e que o presidente russo o convida a Moscou caso ele queira conversar pessoalmente. Ushakov afirmou que o Kremlin prefere uma rodada que reúna Rússia, Ucrânia e EUA. Segundo o UOL, quem levou ao Kremlin a disposição do ucraniano para conversar foi o presidente da Finlândia, que atuou como intermediário. Rubio, por sua vez, declarou que os EUA estão dispostos a mediar o fim da guerra e que, para isso, precisam falar com os dois lados.

Enquanto isso, os ataques continuaram. A Rússia atingiu a infraestrutura ucraniana em quatro regiões e deixou centenas de milhares de casas sem luz, e um drone da Ucrânia acertou uma das maiores refinarias russas, na região de Nizhny Novgorod. Na sexta-feira (30/10), os EUA aprovaram a venda de 500 mísseis interceptadores Patriot a Kiev, por um valor estimado em US$ 2,1 bilhões, segundo a Folha.

Os próximos passos são a rodada trilateral em Abu Dhabi, no início de novembro, e a cúpula da Apec, em meados do mês, onde Trump e Putin podem se encontrar. Em Washington, seguem em análise as propostas turca e indiana para os embarques de grãos.

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