Aliados aconselham Lula a indicar nome ao STF antes da posse dos novos senadores
Parte do entorno do presidente quer insistir em Jorge Messias, rejeitado pelo Senado em abril; outra defende Rodrigo Pacheco, e apoiadores de Simone Tebet levaram o nome dela a Lula.
Por André Carvalho
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que fazem a ponte com o Congresso defendem que ele indique ainda em 2026, antes da posse dos senadores eleitos, um nome que Alcolumbre e os líderes da Casa aceitem para a vaga de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a CNN Brasil. A cadeira está aberta desde outubro de 2025, quando Barroso antecipou a aposentadoria. Lula ainda não decidiu quem vai indicar.
Reeleito, Lula sinalizou a pessoas próximas que pretende voltar a indicar Jorge Messias, advogado-geral da União, cujo nome o Senado derrubou em abril. Segundo o analista da CNN Matheus Teixeira, a ala que apoia essa saída avalia que o presidente saiu mais forte da reeleição e deve usar a atual formação do Senado, que o grupo vê como “menos à direita do que será a próxima”. Para Teixeira, a derrota de Messias virou “meio que uma questão de honra” para Lula.
A opção Pacheco
Outra parte do entorno prefere Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado e ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), apoia Pacheco desde antes da indicação de Messias, e ministros do Supremo também têm boa avaliação dele. Quem defende esse caminho diz que a indicação passaria sem sustos e acalmaria a relação com a Casa.
Esse grupo lembra que o PL, partido de Jair Bolsonaro, terá 28 senadores a partir de 2027, 19 deles eleitos neste ano. Também cita a aproximação de Lula com Alcolumbre na campanha: o presidente apoiou candidatos do senador no Amapá, e Alcolumbre acelerou projetos de interesse do governo antes da votação.
Tebet e a indicação de uma mulher
Segundo a colunista Mônica Bergamo, da Folha, pessoas próximas ao presidente dizem que a decisão de levar pelo menos uma mulher ao Supremo está tomada; falta definir em qual vaga. Apoiadores da ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB-SP) levaram o nome dela a Lula. Mestre em direito pela PUC-SP, Tebet comandou a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e foi professora universitária. Neste ano, disputou uma vaga de senadora por São Paulo e não se elegeu. A ministra Daniela Teixeira, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), também é lembrada.
O que falta
Lula tirou dias de descanso para recuperar a voz depois da campanha. Segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil, ele só deve amadurecer a escolha depois da semana que começa na segunda-feira (2/11), com a tendência de fazer a indicação ainda em 2026. Qualquer nome precisa do aval do Senado. Além da cadeira de Barroso, as aposentadorias de Luiz Fux, em abril de 2028, e de Cármen Lúcia, em abril de 2029, abrirão outras duas vagas no próximo mandato. O InfoMoney põe na conta também a saída do decano Gilmar Mendes, prevista para dezembro de 2030.



