Chilli Beans pede recuperação extrajudicial e renegocia R$ 340 milhões com bancos
Plano combinado com os principais credores prevê aporte de até R$ 50 milhões; dívidas com fornecedores e funcionários ficam fora da renegociação.
Por André Carvalho
A Chilli Beans, rede de óculos, relógios e acessórios com sede em São Paulo, pediu recuperação extrajudicial para reorganizar R$ 340 milhões em dívidas com bancos. O plano já chegou acertado com os principais credores e prevê prazos e condições de pagamento novos, além de um aporte de até R$ 50 milhões para bancar a reestruturação. O g1 informa que o pedido foi feito no sábado (31/10); segundo a Folha, ele foi protocolado na noite de sexta-feira (30/10).
Ficam de fora, segundo a companhia, os valores devidos a fornecedores, empregados e outros parceiros. O dinheiro novo virá dos próprios credores, e o Itaú, a consultoria Akron e a gestora Vega atuam como financiadores âncora, coordenando a entrada dos recursos.
Como funciona o pedido
Na recuperação extrajudicial, a companhia negocia diretamente com quem tem a receber e procura a Justiça apenas para validar o acordo. Esse costuma ser o primeiro caminho de empresas endividadas que ainda estão longe da falência, explicou à CNN Brasil Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores. Para a advogada Daniela Correa, especializada em direito empresarial, a tendência é que a operação continue como está durante o processo.
A rede tem cerca de 900 franquias no Brasil, está em mais de 14 países e abriu nove pontos de venda no país em outubro, além de quatro no exterior. Pelos dados reunidos pela Folha, são 1.400 lojas e quiosques no total, e a receita chegou a R$ 1,2 bilhão em 2025. Segundo o jornal, o fundador e presidente, Caito Maia, já tinha dito em agosto que o aperto nas contas começou na pandemia; no comunicado do pedido, ele afirmou que o varejo do país passa por “um período desafiador”.
Mais um nome na lista de 2026
Na lista de casos do g1, 2026 já soma 13 pedidos de recuperação judicial ou extrajudicial. Entre os recentes estão o Grupo Gennius, dono do Habib’s e do Ragazzo, que foi para a recuperação judicial, e a petroquímica Braskem, que escolheu o caminho extrajudicial. No país todo, eram 6.341 empresas ativas em recuperação judicial no fim do primeiro semestre e 44 em recuperação extrajudicial até agosto, segundo a consultoria RGF, citada pela Folha. A rede de brinquedos Ri Happy, com R$ 827,4 milhões em dívidas, teve o pedido aprovado pela Justiça de São Paulo em 23 de outubro, informou o jornal.
O varejo concentra a maior parte dos casos, segundo o g1. Para André Matos, CEO da MA7 Capital, as lojas de bens duráveis sofrem dos dois lados: carregam dívidas mais caras e estoques altos e dependem de clientes que compram parcelado. A Selic, em 13,75% ao ano no fim de outubro, encarece o crédito e segura o consumo das famílias de menor renda, aponta a Folha.
O próximo passo
Falta a homologação do plano pela Justiça, que estende as novas condições a todos os credores com créditos do mesmo tipo. Felipe Casotti, sócio da Akron Capital, disse que a renegociação vai permitir à empresa “concentrar seus esforços na operação” e reforçar a relação com franqueados e fornecedores.



