Dirigentes do Fed defendem nova alta de juros após inflação americana subir a 3,6%
Lorie Logan, do Fed de Dallas, fala em pelo menos mais duas altas de 0,25 ponto; o banco central americano volta a decidir a taxa em 8 e 9 de dezembro.
Por André Carvalho
Atualizado
O PCE, índice de preços que o Federal Reserve (Fed) usa como referência para a meta de inflação, subiu 3,6% nos 12 meses até setembro, acima dos 3,4% de agosto, informou o Departamento de Comércio dos Estados Unidos na quinta-feira (29/10). Na sexta-feira (30/10), dois dirigentes do banco central americano defenderam nova alta de juros: Alberto Musalem, presidente do Fed de St. Louis, e Lorie Logan, presidente do Fed de Dallas. As falas vieram dois dias depois de o comitê de política monetária manter a taxa na faixa de 3,75% a 4% ao ano.
A faixa atual é a mais alta desde outubro de 2025. Segundo o g1, juros americanos nesse nível reforçam a pressão para que a Selic siga alta por mais tempo e mexem com o câmbio no Brasil.
O que disseram Musalem e Logan
Musalem falou num encontro de economistas em Nova York. “Avalio que um aperto adicional da política monetária será necessário, e em breve”, disse, segundo a CNBC. Para ele, ajustes pequenos feitos cedo costumam causar menos turbulência do que movimentos grandes e bruscos mais adiante.
Logan foi mais precisa sobre o tamanho do ajuste: o comitê precisa fazer pelo menos mais duas altas de 0,25 ponto percentual, disse a estudantes de uma faculdade na Carolina do Norte. Ela ressalvou que isso não obriga o Fed a subir os juros em toda reunião. Logan vota na reunião de dezembro; Musalem fica sem voto no comitê até 2028, segundo a CNBC.
A decisão de quarta-feira (28/10) já tinha mostrado divisão. O placar foi de 10 votos a 2 pela manutenção, e as duas dissidentes, a diretora Lisa Cook e a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, queriam subir os juros em 0,25 ponto naquele momento. Em setembro, o Fed havia feito a primeira alta em mais de três anos.
Os dados que pressionam o Fed
Os dados de quinta-feira (29/10) também mostraram a economia americana crescendo a uma taxa anualizada de 3,4% no terceiro trimestre, acima do esperado, com os gastos do consumidor em alta de 3,8%. O núcleo do PCE, que deixa de fora alimentos e energia, subiu 3,1% em 12 meses, e o índice de preços ao consumidor (CPI) chegou a 3,7% até setembro. A meta do Fed é de 2%.
O presidente do Fed, Kevin Warsh, disse depois da decisão que não vê a economia “superaquecida” e evitou fixar prazo para agir. “Controlar a inflação não é uma questão de escolher uma data específica no calendário”, afirmou, segundo o g1. Para Diane Swonk, economista-chefe da KPMG, a inflação ficou persistente sobretudo nos serviços, e “o Fed está ficando para trás”, de acordo com a CNN Brasil.
O que vem até dezembro
A próxima decisão sai na reunião de 8 e 9 de dezembro. Segundo a Folha, a inflação de setembro reforçou entre economistas a expectativa de que o Fed suba os juros nesse encontro. Se a alta vier, será a segunda de 2026, depois da de setembro.



