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PL quer Rogério Marinho no comando do Senado e deve apoiar Hugo Motta na Câmara

A bancada do partido se reúne na terça-feira (3/11) para fechar posição; no Senado, Davi Alcolumbre tenta a reeleição com o apoio prometido pelo governo Lula.

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PL quer Rogério Marinho no comando do Senado e deve apoiar Hugo Motta na Câmara
Foto: Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O PL deve apoiar a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) no comando da Câmara, mas vai insistir em disputar a presidência do Senado com o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), segundo a CNN Brasil. Os deputados do partido foram chamados para uma reunião na terça-feira (3/11), às 18h, para fechar a posição sobre a Câmara e a divisão de cargos. As eleições para o comando das duas Casas acontecem em 2027, já com o novo Congresso.

O nome de Marinho foi apresentado na sexta-feira (30/10) pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula no segundo turno, numa transmissão ao vivo feita depois de deixar o país. “Nossa trincheira será o Congresso, especialmente o Senado”, disse Flávio. No sábado (31/10), Carlos Bolsonaro (PL), eleito senador por Santa Catarina, repetiu o apoio depois de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Nosso candidato é o Rogério Marinho”, afirmou Carlos.

Câmara: o peso das comissões

Antes de se aproximar de Motta, o PL estudou lançar Sóstenes Cavalcante, líder da bancada, ou Altineu Côrtes, vice-presidente da Câmara. O plano perdeu força diante da avaliação de que Motta tem maioria folgada: segundo a CNN Brasil, 15 partidos já o apoiam, entre eles o PT.

O cálculo passa pelas comissões. Na Câmara, os blocos montados no dia da posse definem a ordem em que os partidos escolhem as presidências, e quem fica de fora tende a escolher depois, mesmo sendo a maior bancada. A primeira costuma ser a Comissão de Constituição e Justiça, que o deputado Nikolas Ferreira (PL) quer presidir. Com 121 deputados eleitos em outubro, o PL terá a maior bancada da Casa, e a ala ligada ao presidente do partido, Valdemar Costa Neto, argumenta que esse tamanho vale pouco sem um acordo com Motta.

Outra parte do PL resiste a Motta pela proximidade dele com Lula. Segundo deputados da bancada, o presidente da Câmara disse a articuladores da esquerda que vai ouvir as demandas do PL, mas que o PT terá prioridade. No PT, a ameaça é a inversa: o partido fala em sair do bloco de Motta se ele também fechar com o PL.

Senado: Alcolumbre busca mais um mandato

No Senado, Marinho enfrentaria o atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), que tenta a reeleição com o apoio declarado de PP e Republicanos. Lula garantiu na segunda-feira (26/10), em reunião no Alvorada, que a base do governo apoiará a recondução de Alcolumbre e de Motta. A partir de 2027, o PL terá a maior bancada do Senado, com 28 das 81 cadeiras. Alcolumbre tem dito a interlocutores que conta com ao menos 48 votos, segundo a CNN Brasil. Como a votação é secreta, o anúncio dos partidos não garante os votos de todos: a mesma emissora diz que Damares Alves (Republicanos-DF), Tereza Cristina (PP-MS) e Guilherme Derrite (PP) devem ficar com o candidato da oposição.

Um dos pontos da disputa são os pedidos de impeachment de ministros do STF, que hoje dependem só do presidente do Senado para avançar. Há dezenas parados, muitos contra o ministro Alexandre de Moraes. Em agosto, Alcolumbre sinalizou à oposição que poderia pautar o tema se fosse reeleito; mais tarde, segundo a CNN Brasil, mudou o discurso com interlocutores e descartou levar os pedidos adiante, em especial o de Moraes, de quem é próximo. Marinho criticou o que chama de “poder desmedido” do cargo, e a oposição quer mudar o regimento para que um pedido avance sozinho com 49 assinaturas; para aprovar o impeachment, são precisos 54 votos, dois terços da Casa.

Segundo a CNN Brasil e o Blog da Sadi, do g1, Alcolumbre tem discutido anistia ou indulto a Jair Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos e três meses na ação sobre a tentativa de golpe e em prisão domiciliar, para atrair apoio da direita, e apresenta a ideia como parte de uma agenda de pacificação. O indulto cabe ao presidente da República, e a anistia depende do Congresso. Flávio chamou de “nojentas” as negociações que, segundo ele, usam a liberdade do pai como instrumento político. O senador eleito Rui Costa (PT-BA), ex-ministro da Casa Civil, também questionou a articulação: “A gente deve tirar da agenda essa centralidade na polarização”, afirmou.

O próximo passo é a reunião da bancada do PL na terça-feira (3/11). No Senado, onde as alianças entre partidos só se formam depois da escolha da Mesa Diretora, fica mais difícil forçar o partido a fechar com o atual presidente antes da votação, segundo a CNN Brasil.

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