Sem maioria no Parlamento, Netanyahu e Eisenkot buscam aliados para governar Israel
A coalizão do premiê ficou com 53 das 120 cadeiras, e a oposição, com 48; os partidos árabes somam 19, e o presidente Isaac Herzog deve escolher quem tenta formar o governo depois do resultado oficial.
Por André Carvalho
Nem a coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem a oposição liderada por Gadi Eisenkot alcançaram os 61 deputados necessários para governar Israel, pela apuração final da eleição de terça-feira (27/10). O bloco de Netanyahu, que tinha 63 cadeiras antes da votação, ficou com 53 das 120 do Knesset, o Parlamento israelense. A oposição somou 48, e os dois lados procuram apoio de outras legendas, mas nenhum dos dois tem votos suficientes para fechar a maioria.
O Likud, de Netanyahu, é o maior partido, com 27 cadeiras, seguido pelo Yashar, de Eisenkot, com 21. O resultado contrariou as pesquisas de boca de urna da terça-feira, que, segundo a Folha, davam ao bloco de Eisenkot duas ou três cadeiras de vantagem. O comparecimento, de 77,7%, foi o maior desde 1999.
As 19 cadeiras restantes ficaram com dois partidos árabes, a Lista Conjunta, com 11, e o Ra’am, com 8. Juntos, eles tinham dez na legislatura que termina e passaram o recorde de 15, de 2020. Para a colunista do g1 Sandra Cohen, nenhum dos dois blocos quer os partidos árabes na coalizão, mas eles saíram da eleição com mais poder de barganha.
Netanyahu, de 77 anos e há mais de 19 no poder, precisa dos partidos religiosos e das legendas de Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional, e de Bezalel Smotrich, ministro das Finanças. De acordo com a Folha, a isenção dos ultraortodoxos do serviço militar já tinha causado rompimentos entre esses aliados. Eisenkot, de 66, comandou as Forças Armadas e tenta juntar direita, centro e esquerda para tirar o premiê do cargo; entre as propostas dele estão rever as regras do alistamento e manter o Judiciário independente.
Acusações de fraude
A eleição foi marcada por acusações de fraude feitas por Netanyahu, sem provas apresentadas até a sexta-feira (30/10), segundo o g1. Na quinta-feira (29/10), Ben-Gvir pediu a prisão de líderes de partidos árabes ao serviço de segurança interna de Israel. Segundo a Folha, integrantes da extrema direita dizem, sem apresentar provas, que as legendas árabes receberam dinheiro ilegal do Catar; o país chamou as denúncias de “tão ridículas quanto perigosas”. Dean Livne, que comanda interinamente a comissão eleitoral, disse que as denúncias de fraude em massa não têm fundamento.
O presidente Isaac Herzog defendeu que se investigue a suspeita de dinheiro estrangeiro ilegal e que os culpados respondam por isso, se houver provas, mas pediu que a comunidade árabe não seja estigmatizada por ter ido às urnas. Eisenkot disse que Netanyahu e os aliados tentam manipular a opinião pública e pôr sob suspeita o Parlamento eleito. Ele não descartou interferência estrangeira e citou os escândalos recentes que envolveram o Catar e assessores do premiê que acabaram presos. A Lista Conjunta afirmou que as acusações de Netanyahu revelam “medo da força política” do voto árabe.
Os próximos passos
A contagem terminou, mas o resultado oficial deve ser divulgado até quarta-feira (4/11). A partir daí, Herzog tem sete dias para ouvir os partidos e indicar o deputado que vai tentar formar o governo; o escolhido não precisa ser Netanyahu nem Eisenkot. Ele tem 28 dias para montar a maioria, prazo que pode ser prorrogado por até 14, e o gabinete precisa ser aprovado pelo Knesset num voto de confiança.
Se não conseguir, Herzog pode passar a tarefa a outro deputado, com 28 dias e sem prorrogação. Numa terceira etapa, os deputados podem, por maioria, propor em até 21 dias um nome que terá 14 dias para tentar. Sem acordo, Israel volta às urnas em até 90 dias. Netanyahu continua no cargo até que um novo gabinete seja aprovado. Para o New York Times, citado pelo g1, o país pode ter “semanas de incerteza”; a Folha diz que as negociações podem durar meses.



