Setor cripto põe mais de US$ 200 milhões na eleição legislativa dos EUA
O principal comitê do setor apoia 33 candidatos à Câmara, dos dois partidos, e diz já ter gasto US$ 55 milhões contra um ex-senador crítico das criptomoedas em Ohio.
Por André Carvalho
Empresas e grupos ligados às criptomoedas já destinaram mais de US$ 200 milhões à eleição legislativa de 2026 nos Estados Unidos, segundo a CNBC, e o alvo é o Congresso que vai decidir as regras do setor. O principal projeto, o Clarity Act, que cria normas para o mercado de ativos digitais e tem apoio de parlamentares dos dois partidos, travou no Senado em setembro, depois que democratas argumentaram que o texto não fazia o bastante para impedir altas autoridades do governo de lucrar com negócios de cripto.
Segundo a organização Public Citizen, os grupos de cripto gastaram mais nesta campanha federal do que os ligados à construção de data centers. O setor tenta repetir 2024, quando os super PACs, comitês de ação política, gastaram US$ 250 milhões para eleger parlamentares favoráveis às criptomoedas.
Quem paga a conta
Os gastos do Fairshake, o maior comitê do setor, ganharam força com doações de empresas de cripto. A corretora americana Coinbase deu US$ 25 milhões ao comitê em 2025, segundo o Fairshake, e já tinha destinado US$ 79 milhões a disputas federais no ciclo eleitoral de 2024, de acordo com a OpenSecrets. Ryan VanGrack, vice-presidente do conselho da Coinbase, disse à CNBC que a meta é levar o sistema financeiro do século 20 para o século 21.
A Ripple, empresa de infraestrutura de ativos digitais, doou outros US$ 25 milhões ao Fairshake em 2025, segundo o comitê. Perguntado pela CNBC se o setor teve bom retorno do dinheiro gasto, Stu Alderoty, diretor jurídico da Ripple, comparou a situação de dois anos atrás com a de agora e disse que foi “um retorno muito bom”.
Onde o dinheiro entra
O Fairshake e seus comitês afiliados apoiam 33 candidatos à Câmara, 19 republicanos e 14 democratas, e garantiram ao menos US$ 1 milhão para a campanha de cada um de seis deputados que tentam se reeleger. Entre eles estão os republicanos French Hill, do Arkansas, e Bill Huizenga, de Michigan, presidente e vice-presidente da Comissão de Serviços Financeiros da Câmara, e Bryan Steil, de Wisconsin, que preside a subcomissão de ativos digitais; os democratas são Janelle Bynum, do Oregon, Derek Tran, da Califórnia, e Steven Horsford, de Nevada.
A disputa que mais mobiliza o setor é a do Senado em Ohio, entre o democrata Sherrod Brown, ex-senador e crítico antigo das criptomoedas, e o republicano Jon Husted, favorável ao setor e atual ocupante da vaga. O Fairshake diz ter gasto US$ 55 milhões contra Brown nesta campanha; em 2024, foram cerca de US$ 40 milhões para tirá-lo do Senado, quando ele presidia a Comissão Bancária e defendia regras mais duras para as criptomoedas. Uma pesquisa Marist feita de 15 a 18 de outubro mostrou Brown quatro pontos à frente de Husted entre os eleitores prováveis, dentro da margem de erro.
Corrupção e custo de vida na cabeça do eleitor
A CNBC aponta um obstáculo nas prioridades do eleitor. Uma pesquisa do Gallup divulgada em setembro mostrou que um recorde de 89% dos adultos americanos vê corrupção generalizada no governo, e Horsford, um dos democratas apoiados pelo Fairshake, disse à CNBC que o assunto dominante nas conversas com eleitores é o custo de vida, embora as criptomoedas ainda apareçam em encontros com pequenos empresários.
A votação de novembro vai medir quanto peso o setor mantém em Washington, onde o Clarity Act continua parado. “Muitas dessas disputas vão ser extremamente apertadas”, disse Mason Lynaugh, diretor-executivo da Stand With Crypto, grupo criado pela Coinbase em 2023 que declarou apoio a 45 candidatos nesta eleição, 42 à Câmara e 3 ao Senado.



